A melhor definição do ato de escrever que li nos últimos dias
“I’ve said before that I think writing is an illness, not a profession. The world of difference between the writer who is up at the crack of dawn, putting down words until their eyes have gone teary and their vision has blurred, and the person who writes “when they feel like it” is enormous. It’s the difference between a professional and a diletante. It’s the difference between doing it because you have no alternative, and doing it as a hobby. This distinction has no immediate reflection on the merit of said writing, mind; I’m more than willing to accept that the hobbiest will occasionally knock one out of the park. I just cannot accept that the same hobbiest is likely to hit the metaphoric ball consistently.
I also believe that writing cannot be taught, per se. The nature of the craft is so intensely individual that what works for one may not, perhaps even cannot, work for another. But more, the nature of the craft is tied directly to the crafter; I write the way I write, the stories that I want to tell, the way I want to tell them. The exact same stories, with the same beginning, middle, and ending, in the hands of (using comic writers, here) a Gail Simone or a Mark Waid or a Kelly Sue DeConnick become, by necessity, different animals. Who we are as people is different, thus our view of the world is different, thus our stories, inherently, are different, even if they are ostensibly, apparently, the same.
Writing cannot be taught, perhaps. But it can be learned. It can be learned through reading and thinking and doing. I cannot read your work and tell you “do this, do that, do the other,” and make you a writer. I can, at best, read and try to understand what it is you’re trying to achieve, and judge its success or failure in my own eyes. I can tell you where I feel you stepped wrong, I can suggest ways to correct the perceived error. I can tell you what isn’t working, and why I think that is the case. I can offer to you those writers I hold in high esteem, and sometimes point to their expertise, their tools, their techniques, offering them as examples to emulate. I can offer my own tips and tricks and advice and experience, but in the end, that is never enough, because you have to do the writing yourself, and writing is perhaps the most intensely isolating, solitary artistic endeavor of our species. You are, ultimately, on your own.”
Porteno
Antes de lançar esta pele para longe, lembro me de teus olhos. Entre a noite negra e as patas que me movem, são os seus olhos a lua para quem uivo, toda a saudade e dor que perfuram a noite em direção a um leito que hoje está longe demais.
As vestes incomodam demais, assim como todo o ruído que ecoa dentro do meu peito, e caem ao chão, pesadas com todas as máscaras que tenho vestido nestes anos para poder caminhar entre os humanos que tanto amas.
Sozinho, à beira do Porto, canto a canção que me foi ensinada pela única mãe que reconheci como tal, senhora dos que caminham como homens mas que correm com os lobos. Deixo para trás a espinha ereta, as belas letras erigidas em honra ao entendimento que hoje não me serve.
Cubro-me com manto de estrelas
Brilhos diáfanos
Olhos de sereias
E negrume de silêncios
Correndo por trilhas
Pulando fogueiras
-vaidades alheias-
Pouco importa!
Deixo para trás
Mil mentiras
E na solidão
Sou uno
Livre.
Malabarista de Palavras
Certa vez nos encontramos, você e eu, numa das encruzilhadas nos caminhos de aço e plástico tão comuns às grandes cidades. Provavelmente você não se recorda; estava atarefada entre o ir e o vir, e eu estava apenas pedindo uns trocados. Entre uma olhada e outra no celular, provavelmente mais smart do que eu poderia ser, perguntou o meu ofício.
Se eu fosse um tantinho mais sincero, eu responderia “saber”… mas como a sinceridade tende a atrair a hostilidade e a verdade nesses dias de inverno é vista como algo perigoso, resolvi deixar a verdade dentro dos meus bolsos e respondi que meu ofício é apenas jogar palavras para o alto e não deixar que caiam fora de seus lugares.
É, eu sei: essa parte costuma arrancar alguns risos tímidos, alguns de espanto e outros de pena. Estou acostumado; nem todos nascem para serem médicos ou advogados, e acredito que qualquer atividade que coloque o pão na mesa acaba por me servir. Lembro que me perguntou se eu não sentia falta de segurança, sendo malabarista.
Segurança, palavra bonita . Vou até dar uns passos para trás, porque tenho que me preparar ao arremessar essa para o alto. O que? Causa assombro? Deveria, senhorita, essa palavra é perigosa!
Segurança é a maior inimiga dos mortais – e a frase não é minha, acredite. E já que tenho que lidar com essa terrível fera, desejada por muitos, pois não compreendem quão perigosa ela pode ser, e só vêem a bela pelagem e esquecem dos terríveis dentes que podem destruir a criatividade e a verve do homem que a possui, permita-me repassar o único jeito de domar esse bicho arisco, ensinado por um cavalheiro que era muito bom em criar trabalho para os outros: O único tipo de segurança que o homem pode ter é uma boa reserva de experiência, habilidade e conhecimento. É desse tipo que a mui hermosa moça queria?
A-Ha, vejo que nem tudo esta perdido, senhorita: Os belos dedos de pianista tremem sutilmente; os olhos dardejam em busca de algo que não sabe muito bem o que é. Ouça bem a canção deste momento; é um tipo de ave que a canta, não sabes? Feia em plumagem e enxotada por todos, mas canta as mais belas canções e possuem o dom mágico de fazer os homens e mulheres que a escutam mais sábios. Escute a dúvida.
O que? Já desististe da segurança? Não, tudo bem, deixe-a para aqueles que não precisam, tanto assim, da sua criatividade. Pergunta-me sobre o conforto? Tenho, acho, as palavras certas!
Conforto, vendido e separado
como verbo, adjetivo e substantivo
cada vez mais caro!
digo-te não
conforto bom é barato!
chocolate na boca
sol no inverno
e brisa na praia
comida de avó
isso sim, é conforto!
que dura até os oitenta
e não gasta.
… e obrigado pela moeda!
Conforto é fazer o que se faz de melhor, livre e desimpedido como o respirar. É ser livre em qualquer pele ou máscara que se vista, com espaço suficiente para uma boa espreguiçada. Comfortável é confabular com todos os seres viventes, visíveis ou não. É ter nascido há dez mil anos atrás e não ter nada que não saiba demais/ de mais
Marcador
Quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete? Quantas são as máscaras necessárias para evitar a célere loucura de uma alma sensível exposta à vil mediocridade cotidiana? Quantos somos, afinal, em um coração ou em um cérebro?
Uma vez uma fábula moderna comparou ogros à cebolas, e sou obrigado a concordar (no que tange às camadas, não a fazer mulheres chorar) com a metáfora. Assim como sou obrigado a concordar com os invisíveis magos que fazem do caos primevo seu maior artifício, ao abolir o “eu” e ao se deferirem a si mesmos, o fazerem em um coletivo “nós”.
Tantas são as personas quanto são os sonhos deixados para trás; em nossas cabeças há espaço mais do que suficiente para cada deus, deusa, herói ou monstro já imaginado. E este que escreve, maior covarde de todos, brincou e enganou sob tantas formas e máscaras que cansou de si de tal maneira que não encontra refúgio nem semelhantes.
O coração ainda bate, mais selvagem que nos seus anos em que neve não havia em seus cabelos; o espírito ousa e os olhos sorriem, mas onde encontrar uma palavra de afago, uma aventura, um suspiro de menina? Como saciar esta fome que consome, as páginas em branco, o turbilhão de idéias que não propicia o descanso?
Vivendo mil vidas em tinta e papel, rasgando pele, músculos e tendões que aprisionam todos os sonhos do mundo. Esquecer a gloriosa ruína que me tornei e abrir a janela e deixar o vento soprar a poeira do conformismo e as teias de aranha do receio para longe. Sou livre lançando meus pensamentos sobre o mundo, e o resto… Nada mais é do que a fita de tecido que marca a página do tempo que me resta.
Sabe a volta do blog…?
Acabou de ser ligeiramente postergada pela chegada de um livro que eu esperava há muito: dance with dragons, do genial R.R martin. Para quem curte fantasia com uma saudável dose de thriller político, e uma boa escolha.
Enfim, nao irei postar aqui maiores detalhes a fim de nao spoilar ninguém, e assim que terminar a leitura faço uma resenha.
Ate lá,
Se alguém ainda estiver por aqui…
…isso aqui vai voltar a ativa em breve. Stay tuned!
Afago
Pede um afago como quem pede desculpas
meio de lado, como menina travessa
quando o mundo sufoca.
Menina, coração como o teu
não pede, reina absoluto
neste imenso deserto
do eu – eu -eu
E tal qual como paradigma
sofre de solidão imensa
por procurar o que não acha
e achar-te sozinha
Ora, amiga minha
olha à tua volta
- tudo que é único é adorável
Para uma amiga
Achei esses dias un pequeno texto que fiz para uma amiga com crise de auto-estima. Gosto de escrever o que percebo com as tintas de um boêmio, mostrando uma maneira diferente para o reflexo no espelho – e acredite, é um trabalho hercúleo buscar algo bonito a se dizer após um dia de trabalho massacrante. Por outro lado, é um excelente modo de limpar a mente e buscar algo bom e belo nos outros. Nos amigos, na amada, na família é por demais fácil, o laço já está ali – já em quem não temos laços é um verdadeiro desprendimento.
Ela pedira um poema.
Ficara acostumada de tal maneira aos versos açucarados que talvez os usasse como chocolates. E embora ainda não encontrasse vocação, não se sentia confortável nos sapatos de chocolatier. Alias, a doçura não era uma qualidade que lhe pertencesse: era apenas uma pequena camuflagem que empregava para se relacionar com seus ditos semelhantes.
Mas escapo ao pedido vaidoso da moça, e nao e de bom tom deixar uma moça esperando. Um pouco de espera apimenta o encontro, mas espera demais esfria o interesse.
Aos versos, então. Mas onde ouvir o eco da musa? A foto, penso, no agridoce entre a vulgaridade do meme indubitavelmente engendrado por párias onanistas e a beleza singular da mulher semi despida. Falar da cartola com nuances de showbiz, da evocação sutil ao jazz, all that jazz? Da sombra escura sobre os olhos, tão significativa do mar incógnito da alma feminina perto de espelhos d’alma tão reluzentes? Do pequeno nariz de batata tão naïve?
Dos lábios carnudos que anseiam pelos beijos de um homem pois cansaram de brincar com os meninos? Ou os seios escondidos sobre a manta quase opressora de uma lingerie que provoca ao invés de proteger?
Melhor um texto, reflexivo, que pinta o retrato com o pincel das letras, a ser interpretado pela moça desejosa de elogios.
Casa nova
É isso aí. Contrato de financiamento assinado, o pessoal da ISA Assessoria imobiliária fazendo cagada atrás de cagada (5 dias de atraso pra pegar a porcaria de uma certidão), a GAFISA fingindo que não é com ela mesmo tendo indicado a ISA para resolver os trâmites, conta bancária sofrendo com os cheques disparados.
Foda-se, eu sou milionário (piada interna)
Minha primeira casa – sonho com isso desde que fui expulso de casa, e a ficha não caiu ainda. Penso como farei a sala, os quartos, a cozinha, e tantas são as opções que me perco.
Vamos que vamos.
PNDH-III (parte 1)
Antes de mais nada, quero deixar clara a minha posição política, que felizmente ou infelizmente há de colorir minha análise sobre o programa nacional dos direitos humanos: ISTO AQUI NÃO É A VENEZUELA, PORRA!!!
Agora que deixei isso claro, seguem alguns trechos (em itálico) e meus comentários:
“Ao assinar o decreto presidencial que institui o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos –
PNDH-3, reafirmo que o Brasil fez uma opção definitiva pelo fortalecimento da democracia…” (pag 11)
Há algum tempo atrás, um sacerdote me ensinou que devemos tomar cuidado com afirmações grandiosas, especialmente ao abrir um texto: Geralmente o que mais é destacado (positiva ou negativamente) é justamente aquilo que o autor deseja varrer para debaixo do tapete. Ver um Executivoque tem se pautado por denúncias de corrupção, um Judiciário medíocre e caudilho, e um Legislativo absolutamente alienado à relidade do Brasil exaltar a democracia é o suficiente para causar-me arrepios.
“O PNDH-3 representa um verdadeiro roteiro para seguirmos consolidando os alicerces desse edifício
democrático: diálogo permanente entre Estado e sociedade civil; transparência em todas as esferas de governo;
primazia dos Direitos Humanos nas políticas internas e nas relações internacionais; caráter laico do
Estado; fortalecimento do pacto federativo; universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos
civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais; opção clara pelo desenvolvimento sustentável;
respeito à diversidade; combate às desigualdades; erradicação da fome e da extrema pobreza.”
Falar de diálogo permanente entre a sociedade civil e o Estado, em especial após terem remetido quatro projetos de lei relativos ao Pré-Sal ao congresso, à revelia dos setores interssados, soa como um bofetão no rosto do cidadão. Transparência, quando episódios como os dos cartões corporativos mostram a vontade politburesca de esconder os gastos sob a pífia alegação de “Segurança Nacional”, segue o mesmo caminho. Direitos humanos nas relações internacionais? Digam isso aos italianos, ou aos atletas cubanos. Estado Laico?? Tirem os crucifixos das repartições públicas, removam o “Deus seja Louvado”de nossas cédulas e a menção no preâmbulo da Constituição e talvez acreditarei nisso.
” No tocante à questão dos mortos e desaparecidos políticos do período ditatorial, o PNDH-3 dá um importante
passo no sentido de criar uma Comissão Nacional da Verdade, com a tarefa de promover esclarecimento
público das violações de Direitos Humanos por agentes do Estado na repressão aos opositores. Só
conhecendo inteiramente tudo o que se passou naquela fase lamentável de nossa vida republicana o Brasil
construirá dispositivos seguros e um amplo compromisso consensual – entre todos os brasileiros – para
que tais violações não se repitam nunca mais.”
Orwell ficaria orgulhoso do nome. Depois que retornaram ao pais, abocanharam as pensões milionárias e tomaram o governo de assalto, fica fácil jogar a Lei da Anistia no lixo, não é mesmo. Pois bem, já que quem não deve não teme, que tal não só um lado responder? Que respondam todos os terroristas, em especial os do MR 8, pelos crimes cometidos! O princípio da isonomia deve ser respeitado, apesar da camarilla esquerdopata que domina o país…
“Todos esses avanços são robustos e animadores, mas não podem esconder os problemas ainda presentes.
Questões muito sérias continuam desafiando os poderes públicos, nos três níveis federados, bem
como a sociedade civil organizada. Refiro-me à violência que ainda mostra índices alarmantes nas grandes
cidades; à prostituição infantil; grupos de extermínio; persistência do trabalho escravo e do trabalho infantil;
superpopulação e condições degradantes denunciadas nos presídios; práticas de tortura; cultura elitista revelada
na resistência aos direitos dos quilombolas e indígenas, bem como nos ataques sofridos pelas ações
afirmativas; criminalização de movimentos sociais em algumas unidades da Federação”
E aqui as máscaras caem e as verdadeiras intenções se revelam: Possuir opinião discordante e exercer sua liberdade de pensamento para expor práticas ultrapassadas e inócuas é equiparado à crimes. Será que assim começa a derrocada da maior democracia da América Latina?


