Porteno
Antes de lançar esta pele para longe, lembro me de teus olhos. Entre a noite negra e as patas que me movem, são os seus olhos a lua para quem uivo, toda a saudade e dor que perfuram a noite em direção a um leito que hoje está longe demais.
As vestes incomodam demais, assim como todo o ruído que ecoa dentro do meu peito, e caem ao chão, pesadas com todas as máscaras que tenho vestido nestes anos para poder caminhar entre os humanos que tanto amas.
Sozinho, à beira do Porto, canto a canção que me foi ensinada pela única mãe que reconheci como tal, senhora dos que caminham como homens mas que correm com os lobos. Deixo para trás a espinha ereta, as belas letras erigidas em honra ao entendimento que hoje não me serve.
Cubro-me com manto de estrelas
Brilhos diáfanos
Olhos de sereias
E negrume de silêncios
Correndo por trilhas
Pulando fogueiras
-vaidades alheias-
Pouco importa!
Deixo para trás
Mil mentiras
E na solidão
Sou uno
Livre.


